Senhor-Escritor

Ensaio Contra Mefisto

I
O Bosque

Ao pobre infeliz desta história, o nosso protagonista, os únicos momentos de verdadeiro prazer eram os que se passavam no trabalho, onde era capaz, por exemplo, de contemplar um som agradável como o do cantar de passarinho ou do murmúrio de uma corrente gentil de água. Em seus dias de descanso era para lá onde levava sua família para um passeio: ele trabalhava como vigilante do bosque. Um dos raros casos onde se pode dizer que “pão e circo” se apresentam no mesmo ambiente. O trabalho para ele nunca foi cansativo porque se sentia vigorado na crueza melancólica – como ele mesmo chamava – da vida natural. Nos dias que chegava em casa e era recebido pela torrente imparável de vozes femininas em sua cozinha, do pessoal do grupo de teatro de sua esposa, ou quando nesses mesmos dias sentava-se em sua poltrona para assistir…

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