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Mil Homens

Entre a Guerra e a Esperança.


A terra dorme, deste lado do planeta. Um infinito sereno, naturalmente pleno e indiferente. Não choveu ainda e, por isso, a terra que dorme, adormece seca e quebradiça, como lábios gretados num subterrâneo qualquer. Há um prolongar calmo da noite que, absorta na manutenção de um universo, não confere à Terra quaisquer privilégios; não fosse a Terra como os outros planetas a orbitar as suas estrelas, ora de frente ora de costas, ora mais perto ora afastando-se.

Foi de forma súbita que lhe tomei consciência – talvez em resposta ao desligar da tecnologia, das luzes e dos estímulos tão agressivos quanto entorpecentes – mas reconheci-me a espicaçar os sentidos numa revolta inconsciente, um transtorno obsessivo a suplicar de mim uma ação, um esforço qualquer compensatório, um balançar das injustiças. Uma exigência, no fundo, para dar sentido, ordem, estrutura à imposição da morte a quem…

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