CONVERSA DA TRANÇA

Crónicas à Sexta

As escadas de madeira rangiam, como me lembro, quando subi ao primeiro piso do restaurante Long Cheang, um dos poucos culaus que sobreviveram à fúria da modernização desenfreada da cidade, em que o desenraizamento do que já era institucional passou a ser a regra. A ganância pelos ganhos astronómicos por um bocado de terreno, levaram velhas famílias e comerciantes a largar mão do que era o mais tradicional de Macau.

Era o terceiro e último dia de entrevista com Eduardo Malaquias, um dos antigos residentes portugueses mais bem sucedidos de Macau. Sorvia o seu Tit Kun Iam, enquanto conversava com um idoso senhor chinês, quando cheguei. Era tão natural a sua fluência em cantonense, que não parecia um estranho em terra estranha. Até me causou certa surpresa, senão inveja, vê-lo a comunicar-se com o seu interlocutor, com desembaraço, sem a barreira linguística que, secularmente, separou portugueses do resto da…

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