EU NÃO TENHO CÓDIGO DE BARRAS

Sabático Literário

Por: Lidianne Monteiro

Meu nanochip estava dando sinais de instabilidade há algumas semanas.

As falhas, a princípio, não me prejudicaram muito. Uma loja que entrei e a vendedora me ofereceu artigos que eu não tinha interesse, o robô do supermercado que me trouxe comida para o passarinho que não tenho, o café que veio descafeinado quando a cafeína é minha mola propulsora…

Mas a gota d’água foi no trabalho e quase me rendeu uma demissão. Em uma reunião importante para contratação de um cliente que bateria minha meta individual anual, meu código retornou que eu estava o tempo todo flertando com o cliente. Nossa empresa não permite que desconectemos o código individual. Então nossas emoções ficam ali à disposição de quem quiser ler com seus óculos de decodificação. Dizem que é por isso que nossos clientes nos veem como confiáveis. Eu só percebi essa falha no meu chip ao fim…

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