Elogio da Solidão

Sonia Zaghetto

Estou diante do mar e há uma festa de azuis no vestido longo das águas. Fecho os olhos devagar, os cílios descendo suavemente até encerrar toda a luz. Os outros sentidos se aguçam. A brisa do Pacífico, as vozes das aves marinhas, um gosto de sal na boca, a areia sob as minhas mãos e pés. Então, acontece de novo: volto a me ver como um barco solto em meio às ondas. Pequeno, sim, mas não frágil. Não há fragilidade no meu peito quando navego neste mar revolto que é viver.

Navego firme desde que descobri que não sou apenas o barco. Sou também o mar, o céu, os bichos que vivem debaixo das águas. Diante das tempestades, posso escolher se as ondas que me cercam serão ameaçadoras ou se navegarei em placidez e calmaria.

Nenhum monstro – real ou imaginário – que viva nas profundezas pode me ameaçar se…

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