Alcatraz

Sonia Zaghetto

Alcatraz é rocha isolada em meio às águas geladas da baía de San Francisco. Cercada por ondas de jade, ela surge aos meus olhos com um cortejo de memórias que desconheço. “O que vais me oferecer?”, pergunto-lhe. Fiz questão de nada ler antes de chegar à ilha. Sabia apenas o básico: era uma antiga prisão federal, com fama de lugar impossível de escapar. Cheguei a ela, portanto, com a alma nua de informações que pudessem me induzir qualquer emoção.

Eu me ponho em silêncio quando visito lugares novos. Quero ouvi-los sussurrar suas histórias. Em geral, confio mais nos meus sentidos, checagens e observações desapaixonadas que nas impressões alheias, cuja origem ignoro. Ainda no mar, em meio à minha solitude, sem perceber, comecei a cantarolar baixinho um trecho de Vivaldi.

Cum dederit dilectis suis somnum. Ecce haereditas Domini filii, merces fructus ventris.

O movimento faz parte da obra sacra “Nisi Dominus”…

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