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Mil Homens

“Ser poeta é ser mais alto, é ser maior / Do que os homens!”


Ouço as paredes conversar; são todas brancas à exceção de uma.
Por vezes, gosto de me sentar no centro da sala, como uma peça decorativa, e ouvir o que estas paredes contam umas às outras. Elas são filósofos – armchair philosophers – que descrevem um mundo só seu, um mundo que não sente, tão-só pressente as mudanças que a superfície da sua estrutura sofre. Tomam-no como universal.
Para mim, é uma lição de humildade: também eu venero um mundo meu, também eu esqueço que não supero a crença.

A Florbela Espanca escreveu:

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!Gosto da noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

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