José

Farley Menezes

Não havia mais nada a fazer: diante do corpo da mãe, estirado sobre o caixão à sua frente, só restava a José deixar fluir dos olhos o choro envergonhado de quem sempre fora ensinado, pela própria mãe, Dona Maria, que

– Homem não chora.

Ela também costumava dizer:

– Não me apego à tristeza.

E com isso em mente, José beijou a pele fria da testa dela e fez sinal para os homens da funerária fecharem o caixão, que dali levaram para o cemitério. Dali para o cemitério municipal, o rabecão seguiu seu caminho sem cortejo.

Fora esses dois encarregados que a funerária havia mandado para cuidarem do velório, nenhuma outra alma viva fazia companhia a José: ele era, então, o único sobrevivente de uma família devastada.

Seu pai, seus dois irmãos mais novos e agora sua mãe, todos tinham partido, um em seguida ao outro, todos dentro de um…

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