vento na janela

cartas vazias

posso sentir um milhão de almas distantes falando comigo
exigindo, demandando, gritando por um sinal de vida
algum sinal meu, estou sempre vendo vultos ou
será que é só o vento quente na janela?

espíritos se reunem em volta do fogo e jogam cartas
na fogueira enquanto o reflexo da luz torna os olhos
amarelos e vermelhos, um deles me pergunta do que tenho medo
tenho medo de não me perder em um instante sutil veemente

jogar tudo pro alto, deixar tudo por um triz, sem cicatriz
se perder entre dois espaços equidistantes é o que eu sempre quis
a distância entre dois milimétricos pontos é maior do que se imagina
cães e anjos não são tão diferentes assim, no fim acabam abanando

as asas ou o rabo chamar a atenção do dono
um dia me chamaram de rei, hoje sequer consigo subir ao trono
nunca sentiu um grande vazio…

Ver o post original 81 mais palavras