Apanhadora de sonhos

Elas contra Tebas

Henri Rousseau- A cigana adormecida

Arlete Mendes-

Sei que tive um sonho. Sonhei. Traços da narrativa quase se esboçam, mas rapidamente se evaporam. Esquecer e lembrar, esse jogo recorrente da memória me fragiliza. O que fica é que sei que sonhei e os sonhos revelam, dão claridade e forma à obscuridade imposta nas verdades, brincam de esconder-revelar o que tento lembrar-esquecer.

Esquecer é enevoar-se, fabrica de fumaça a baforar mentiras. Lembrar é irradiar-se, dissolver as brumas e ensolarar o dia.

O ato de parir uma verdade implica em que outras milhares deixem de existir. Poucas verdades podem ser geradas num mesmo ventre. É por isto que almejo as disformes, quase um engodo. A verdade daqueles que, nesse jogo de forças, foram sucumbidos, vilipendiados. Ovos gorados. A mim só interessa o choro dos natimortos. Quero ouvir a voz embargada de quem nunca pode existir.

Confesso que dói carregar algumas verdades latentes…

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