Robinson Crusoé da Vila Madalena

No Escuro Todo Mundo é Igual

Da varanda do quarto andar, ele toca uma sequência de rock nacional que inclui Cazuza e Skank. É domingo à tarde, mas não tem ninguém para reclamar do barulho. Ele mora sozinho no único apartamento ocupado daquele prédio.

Mais do que alcançar um sonho utópico, aquele homem conseguiu a proeza de, em plena zona oeste de São Paulo, se cercar pelo vazio naquele edifício de 16 andares – torre 1 e 2 – e todos absolutamente vazios.

Se fosse em qualquer outro ano, pensariam que eu estava mentindo, que é lorota de escritor, que é a mais pura ficção. Mas o ano é 2020, o ano da quarentena, o ano em que um vírus, invisível a olho nu como todo vírus, nos deixa trancafiados em casa há quatro meses e contando. E esse homem, por azar ou por sorte, comprou seu apartamento na fase final da construção do prédio, que…

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