As Pequenas Margaridas, Vera Chytilová, 1966

Coquetel Kuleshov

Pelo contexto cultural da nova onda tcheca, vontade de desconstrução artística e anseios revolucionários abastecidos pela tecnologia, Vera Chytilová faz de Daisies um dos filmes experimentais mais importantes do cinema. Com ele, tomando pra si um discurso antes relegado a uma certa “elite de gênero”. Desmontando a arte e remontando ao seu modo.

Ainda que prezando pelo caos aparente, a diretora faz dessa tese “reconstrutivista” um esforço muito direto para um olhar mais atento à ordem das esquetes das quais o filme se forma. Formando sobre tudo uma certa “cronologia”.

Como se num impulso pós revolucionário de reboot, recriação a partir de destruição. As duas personagens principais vão se desmontar e se remontar figurativa ou literalmente nas cenas aparentemente isoladas que se seguem. O quarto sempre presente que se transfigura a cada retorno, pelo fogo num banquetes sobre cinzas, com alimentos cortados com tesoura. Assim como a película e…

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