CONTO: DISTOPIA ANUNCIADA

E RESQUÍCIOS DE FICÇÃO CIENTÍFICA

Em um futuro não muito distante penso em um passado muito presente: Os seres humanos se tornam cada vez mais frágeis em seus antiquados corpos de carne, osso e dor, e cada vez mais assustados com suas gigantescas cidades de asfalto, metal e fúria. A velocidade das vias expressas oprime o pensamento, não há mais tempo para elucubrar, não há mais tempo para gozar se não com hora marcada. Quem abusar ou se desviar é vigiado e punido. Os corpos têm código de barra, controle remoto e entrada USB. As identidades são invenções do Instagram, ninguém mais pode ser infeliz agora, se não foi postado não aconteceu. As telas exigem nossa atenção e devoram nossa consciência do agora, as luzes cegam, as projeções confundem, os comprimidos de Soma anestesiam sem necessariamente aplacar a dor das almas em ameaça de extinção. As máquinas gritam e as…

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