Trauma e luto pandêmicos

CAOS FILOSÓFICO

por Gustavo Henrique Dionisio

EmA partilha do sensível(2000), Jacques Rancière parece prever a proliferação pulverizada de imagens que em nossa cultura se tornaria moeda corrente: se por um lado o filósofo nos lembra em que medida essa partilha se refere à existência de uma junção de partes e sua separação intrínseca no interior de um todo, por outro carrega a premissa de que ocompartilhamentode atos estéticos opera a partir de configurações de experiências que “ensejam novos modos de sentir e induzem novas formas da subjetividade política”, de tal modo que as imagens acabam sendo inelutavelmente subjetivantes ao condicionar determinadas políticas, assim como os modos do ver e do viver.

Na pandemia, as imagens de enterros feitos em massa e às pressas ficaram mais evidentes a partir da situação descontrolada na Itália – a primeira grande onda de contaminação no Ocidente –, onde agentes funerários acabavam sendo…

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