CONTO: PINTURA DE GUERRA

em

Corvo Literário

De: Lorrayne Saraiva

Olhei apavorada para o filete de sangue que escorria fino, como uma minhoca, pelo chão de azulejo branco e maculado do banheiro. Depois, não mais estava apavorada; era a vida, pensei resignada, quase estóica. Mulheres menstruam desde o início dos tempos, e continuarão a menstruar até que façam algo com o avanço da ciência, para reprimir seus hormônios.

Mas ainda havia algo de novo, desconcertante, e inegavelmente sedutor, na primeira marca de sangue que deixei em minha calcinha. A calcinha em questão era de algodão rosa, com uns babadinhos rentes a costura. Não era, em definitivo, uma calcinha madura para receber minha primeira menstruação, pensei aborrecida. Deveria ter acontecido em uma calcinha roxa, modelo fio dental, ou pelo menos de renda negra.

Desde que havia acontecido; o sangue, a dor fina e rasgante ao pé da barriga, o susto, a aceitação, eu escorregara para o chão do…

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