RANGO, O FILÓSOFO DOS MISERÁVEIS

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Um dos meus heróis, na década de 1970, era um morador de rua de Porto Alegre. Catava coisas no lixo, dormia embaixo de viadutos, tinha uma aparência lastimável, com direito a uma barriga inchada e cabelos que nunca se sabia se eram apenas rebeldes ou especialmente sujos. Mas ele era dono de uma fina ironia e de uma capacidade espantosa de perceber a realidade. Seu próprio nome já era um deboche: Rango, ao menos aqui no Sul, significa comida. Algo que ele só via e usufruía de vez em quando.

O personagem foi criado por Edgar Vasques, um ilustrador gaúcho dono de um traço de muita personalidade e de um humor ferino. Nas histórias, usava um argumento que denunciava a desigualdade social crescente, que o regime ocultava. Mas Rango não se escondia e jogava na cara da classe média obviedades que ela não tinha condições de ver sozinha. Ou apenas…

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