Never, Rarely, Sometimes, Always

em

SOMBRAS ELÉTRICAS

NEVER RARELY SOMETIMES ALWAYSEm primeiro plano, vemos mãos (femininas) que levantam a blusa de um ventre (igualmente feminino), passam gentilmente em sua superfície um pouco de gel e encostam o aparelho de ultrassonografia. Esse ventre está cheio de hematomas bastante escuros, provocados por pancadas cuja violência já tínhamos testemunhado explicitamente em cena anterior. Não há qualquer diálogo ou trilha sonora. Somente a intensidade expressiva do gesto.

Esse momento único de cinema puro (palavra sempre perigosa de usar, mas uso-a mesmo assim), em que a realidade nua e bruta assoma aos nossos olhos com o gigantismo avassalador do close-up, sem nos dar qualquer opção de desviar a atenção (apenas fechar os olhos mesmo), é a grande força de Never, Rarely, Sometimes, Always (EUA / Reino Unido, 2020, dir.: Eliza Hittman).

Never, Rarely, Sometimes, Always 2Força classicizante, e não é à toa que o filme venceu, em Sundance este ano, o prêmio de “Neorrealismo” (U.S. Dramatic Special…

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