Narciso

Sonia Zaghetto

No Livro III das Metamorfoses, o poeta romano Ovídio narra uma das mais complexas e citadas histórias da mitologia grega, a de Narciso. Na Beócia, a ninfa Liríope banha-se e é desejada pelo rio, o deus Cefiso. Ele a violenta e Liríope dá à luz um menino cuja beleza encanta homens, mulheres e até as ninfas. Narciso, entretanto, por ninguém se interessa.

Uma bela ninfa, Eco, o ama. Ele a menospreza, como a todas as demais. Eco se oculta nas sombras da floresta, onde se consome. As carnes secam e os ossos se convertem em rochas. Resta apenas a voz a repetir nos ermos.

Os mitos encerram lições. A de Narciso é que toda arrogância paga alto preço. As ninfas desprezadas pedem aos deuses para vingá-las. Nêmesis – que pune a hübris, a desmedida que ultraja os imortais – condena Narciso. Cansado da caça, ele encontra uma lagoa. Nenhum pássaro…

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