Submissão

Errâncias

Em “Submissão”, publicado no Brasil em 2015 pela Alfaguara, o romancista francês Michel Houellebecq retrata uma França em transição: transição do modelo democrático secular para o modelo islâmico (teocrático, ao que tudo indica). A contrário de nossas intuições mais rápidas (e preconceituosas), a transição não é fruto de uma tomada violenta de poder ou de um golpe de Estado: é consequência de um cenário eleitoral em que a maioria dos votantes opta (de forma mais ou menos “inconsciente”) pelo modelo, elegendo um candidato que avança e representa essa proposta. O livro aponta para uma série de questões que não nos interessam aqui, mas deixa claro um ponto central para a compreensão do cenário brasileiro contemporâneo, ponto tornado explícito já no título do livro: a submissão.

A transição brasileira – consagrada pelas urnas, e nessa medida específica uma transição tão “legítima” e “democrática” quanto a retratada por Houellebecq – é a…

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