Caridade embutida

Terceira Margem

JOSÉ CARLOS FINEIS – Um homem muito pobre, inclusive de informações, bateu numa casa bonita já preparado para receber cara feia, mas tinha fome e precisava de algo para comer. A empregada o atendeu e pediu que esperasse. Minutos depois, surgiu com uma sacola de supermercado cheia de salsichas bem vermelhas. Verteram lágrimas dos olhos do homem, e o habitual “Deus lhe pague” ficou entalado com o nó que se formou na garganta.

Naquela noite, quando se preparava para assar as salsichas numa fogueira ao lado da ponte, na margem do rio, notou contrariado que outros sem-teto se aproximavam. “Pronto. Ferrou. Lá vêm eles pra comer todas as minhas salsichas”, pensou. Mas ficou surpreso e feliz ao ver que os outros também traziam sacolas cheias de salsichas, linguiças e muitos quilos de alcatra, picanha, maminha e contra-filé em embalagens fechadas.

O churrasco durou a noite toda. Os sem-teto riram e…

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