Lírios podres

Sonia Zaghetto

Há um cansaço em mim. Em nós. Fruto de suprema vergonha ao ver o país se converter, a cada dia, em local onde a selvageria prevalece, a má educação campeia, os horrores se espalham e as instituições derretem.

Sob este nosso céu claro, a violência está em toda parte. Naturalizou-se. Instalou-se sem cerimônia nas salas e escolas, nos tribunais e nas igrejas. Já não é feita apenas de balas, mas também de gestos e falas corrompidos.

Das redes sociais ao plenário da mais alta Corte do país, tornamo-nos uns destemperados, reféns de boçalidades, adeptos do grito.

Os supostos detentores da razão não se refreiam. Perante o sofrimento e a morte não se intimidam. Aderem sem pensar duas vezes às frases de efeito e aos clichês minúsculos. Infelizes que não aceitam o debate, que empurram goela abaixo dos opositores frases baratas, argumentos frágeis, baixezas mil.

Há uma vocação autoritária a nos…

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