O direito à greve

Sociologia da Gestão

1. Terraplanismo e direito à greve

Em tempos de terraplanismo e acirramento político, as greves passaram a ser consideradas, de forma quase unânime, “coisa de comunista”. Mais precisamente, o instrumento pelo qual hordas vermelhas tentariam seduzir trabalhadores ingênuos e alienados, que gostariam de apenas realizar seu ofício em paz. Grevistas seriam, enfim, esquerdistas sedentos pelo fim do capitalismo e que desejam a transformação do planeta em uma imensa Coreia do Norte. Nessa lógica, os sindicatos são sempre corruptos, as causas coletivas sempre autoritárias e tudo que foge à rotina da labuta merece o rótulo de baderna. Essas assertivas tacanhas são quase universalmente aceitas naquela parcela do mundo corporativo que reverencia a meritocracia e o empreendedorismo – com eventuais consultas ao coach quântico.

Essa é, todavia, apenas uma visão tapada quanto a um instrumento que, em si, pouco tem de revolucionário. As greves, na verdade, cumprem papel salutar na manutenção de…

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