Sem cabimento

Revista Desvio

Abre-se a porta. Ao entrar, a anfitriã canta: “E que? Negra! Sim! Negra! Eu sou! Negra! Negra eu sou! Negra, negra, negra, negra!”

Victoria Santa Cruz, que nos recebe, performa “Me gritaron negra”. Recebendo à porta de Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960 – 1985, dá o tom do assunto com um recorte, ao qual o feminismo negro alcançou: camada extrema de resistência. mulher. latino-americana. negra.

Uma virada para o lado do quintal, se vê. Aqueles corpos marcados pela cultura, que já os impôs à condição do ambiente doméstico, aos padrões de beleza e feminilidade, aos serviços de procriação e prazer; de situações fantásticas, insólitas, renascem. Desconfiguram. Desestabelecem as formas. Celeida Tostes, em Passagem, quase literalmente volta ao ventre da terra. Não há mais história, não há cultura. Não há fora, silêncio. Dentro, seus próprios sons. E então ela rompe. Silvia Gruner, em Areia, gira e gira e…

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