Marina. A Caverna.

Fui comprar cigarros mas voltei

Marina precisava de purificação. Queria deixar o passado. Sentia necessidade de estar perto.

Aquela reclusão fizera parte de toda sua vida, não queria mais sentir o desconforto na garganta.

Depois de todo o abandono, agora ela precisava abandonar. Mergulhar na escuridão de toda a dor e iluminá-la, olha-la de perto, analisa-la. Abandonar, assim, os velhos padrões.

Decidiu olhar para a dor como via um filme. Contaria sua história a si mesma. Desta vez, sem lágrimas. Precisava perdoar a si mesma. O perdão é como um luto recolhido. Estava de luto, por quem abandonava ser.

Seu pescoço doía por aguentar o peso do seu crânio. A decisão pesava. Sua voz mudara, durante dias de pensamentos. Ouviu a si mesma.

Seus cabelos cresciam, renasciam a cada suspiro de recomeço. Olhou para o céu e a lua crescia, também. A noite estava iluminada.

A água esquentava. Saturno estava passando.

Esperou ansiosa pelo sol…

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