Dizem por aí

Gean Zanelato

Acho poucos assuntos tão delicados quanto o estupro. De tão delicado que é, eu passo longe dele na hora escolher o que escrever. Mas hoje, uma matéria do jornal me deixou cabreiro. Na capa, a manchete: “Mulher diz ter sido estuprada em Tubarão”. Achei um insulto ao discurso da vítima.

Claro, uma matéria de primeira mão não pode ser ignorada. Claro que, mesmo sem muitas informações, o jornal tem que falar sobre isso. E claro que “diz que” é a melhor maneira de expor um problema. Diz, ter, sido, estuprar: quatro verbos amontoados numa frase pra lá de tendenciosa. Lendo assim, parece ou não parece que a “louca” inventou a coisa toda?

Abro na página 8 e leio uma matéria cheia de palavras, mas vazia de informação. Tem um único relato transcrito rapidamente. É como se o assunto estupro, que é de extrema covardia, não merecesse ser tratado com…

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