Precipício insólito

De Saco Cheio e Mau Humor

Meus olhos estavam escuros e vazios. A neblina assumiu seu lugar de direito, minha amiga constante. Uma vida sem luz carrega ao seu lado a densa névoa da tristeza e aceita caminhar acompanhado dela a todo instante.

Minha pele era fria e insensível. Uma grossa camada de escama assumiu e tragou toda a sensibilidade ao toque, a capacidade de sentir inerente a cada ser.

Quando abria minha boca só era possível escutar grunhidos. Sons sem sentido de alma calejada pelas dores que trouxeram a inerciam e a dormência.

Meus dedos tateavam pelos rostos que encontravam na frívola tentativa de sentir, identificar-se ou simplesmente ser capaz de ler os sentimentos de uma pessoa pelo toque.

Um dia desisti, e atirei-me no precipício insólito da depressão. Deixei que cada alma atormentada do abismo me consumisse, e se apoderasse do que deveria ser minha alma.

Na densidade da escuridão que cobria o caos…

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