Raimunda e seus resquícios

Cerne

Ela completava uns 60 anos. Trabalhou a vida inteira pra sustentar seus filhos. A pobreza fazia trilha na vida de cada um. A luta era mais que diária. Dona Raimunda, senhora simples e sábia, encontrava-se numa cadeira de cabalanço a espera de seu filhote. Aquele que nunca fizera questão de nada, que sempre abaixara a cabeça para tudo, mas que agora viajava pelo Brasil a procura de um futuro.
Viu seu filho entrando pelo porta, e disparou seus braços, fazendo ninho ao seu passarinho. Ele voltou.
Cabisbaixo o garoto entrava, seus olhos nunca estiveram tão confusos, uma mistura de felicidade e preocupação.
Falaram de saudades, de amor, de lembranças. Até que o assunto triste chegou. Era sempre resquícios. Sempre chegava esse assunto.
Não era sobre doença, se bem que é um mal grande. O filho adotado de dona Raimunda, disse:
– A pobreza nunca me incomodou, mas, sabe? Me entristece…

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