O famanaz

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          O PORTUGUÊS que morava ao fim da rua – na última rua da cidade -, já fazendo divisa com uma pequena chácara meio rural, meio urbana, numa casa modesta mas farta, não poupava elogios ao advogado que lhe havia desembaraçado o inventário do pai. Não se cansava de dizer: “Já não se fazem mais advogados como esse; é mesmo dos bons”. Elogiava-lhe a perspicácia, o conhecimento das leis, o discurso fluente, a desenvoltura e a coragem no tribunal. Elogiava tudo – até a elegância do advogado ele elogiava, sempre metido em terno de linho cento e vinte, sapatos de couro alemão, camisa fina e gravata de seda. “Era um advogado diferente”, dizia o português verborrágico, com suas inabaláveis opiniões e certezas sobre a capacidade do homem que lhe havia desembaraçado o inventário do pai.

       Podia ser até que o…

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