A porta da portaria

Feijão em Flor

Um dia Arlindo cismou.

Estava no  trabalho, na portaria, sozinho, 2 e 50 da manhã.

E olhou pro condomínio de luxo que, por sua causa, dormia sossegado.

E olhou pro monte de câmeras que lhe vigiavam e lhe impediam de pegar no sono. E olhou pra rua deserta.  E lembrou que todos dormem o sono da noite, o sono dos justos,  e ele não.

E pensou nos anos de serviço de guarda noturno. Todo dia a mesma coisa. Sair de casa às 8 da noite, pegar duas conduções, chegar no serviço às 10 e só largar às 6 da manhã do dia seguinte.

E pensou na mulher grávida e no filho pequeno, sozinhos em casa, na casa ainda em construção, na casa sem nenhuma proteção. Na casa solta numa ruazinha rente ao chão.

E lembrou que ao chegar em casa, a mulher  já terá saído pro trabalho e levado o…

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