À deriva

CORJA

– Capitão?
– Pois não?
Silêncio.
– Pois não?!
– Ahm. Desculpe.
Silêncio longo.
– Quanta neblina.
– Te incomoda?
– Acho que não…
– Com o tempo, a gente se acostuma a olhar a neblina.
– Levou muito tempo pra você aprender, Capitão?
– Eu ainda não sei.
Silêncio.
– A neblina não a vemos de perto. Apenas de longe. Lá longe, as curvas do céu se esfumaçam, as gotas de tinta se distorcem. De repente, tudo está em expansão, e o quadro se desfoca completamente. Parece que tudo cresce e se aproxima. Sem se dar conta, você está no meio da névoa. Nebuloso, turvo, distorcido. As gotículas de água raspam na pele dos seus braços e acomodam-se suavemente em seu rosto. Você tenta enxergar, mas não tem muita certeza se está conseguindo. Por fim, o nevoeiro se vai, desprendendo de você alguma coisa que não se sabe ao certo.

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