Maria Azul

Água no Quintal

Acordamos com o mesmo relógio que tic e taca há anos, com sua carcacinha de um azul cada vez mais claro. Todos os dias. Abrimos a janelas e encaramos nossas caras no espelho, envelhecendo mais rápido do que gostaríamos. No sorriso dela, o azul de Gogh resiste, nos punhos firmes que passam o café, a liberdade repousa sonolenta, balançando-se entre os pingentes das pulseiras. Seu nome é Maria. Meu nome é José. Arrasto meu grilhão pela casa, pelas ruas, até o trabalho. Sou um apertador de parafusos, vivo colado à maravilha do ferro fundido e da transparência do vidro. O café forte de Maria no estômago. Ela no trabalho. É telefonista, atende muito bem os sujeitos mal educados que querem trocar seus planos telefônicos. Maria, bom dia. Maria, boa tarde. Maria… Deve ser de tanto falar que chega em casa muda. Com seu sorriso azul. Azul de Gogh. Escova os…

Ver o post original 57 mais palavras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s