De repente angústia

Haurido

De repente angústia. Parou entre a boca e o estômago, no esôfago da alma. Ficou ali, travando-me a respiração. As palavras, de dentro para fora, paravam nela. As de fora para dentro, por ela não passavam. Levantei-me. Boca da madrugada, insone em meus desvarios. Abri a garrafa e bebi um gole de vinho, seco, na esperança da alma engolir ou vomitar a angústia. Mas ela não saiu dali. Fui até à janela da sala e contemplei a noite. As luzes da cidade não me iluminavam. A árvore, defronte à janela da sala, não me floria. E aquela merda de sensação, de que nada arrancaria aquele caroço no meio do caminho de minha alma, não passava. Fechei a janela. Traguei o último gole do vinho no bico da garrafa, fechei o apartamento e saí. Desci pelas escadas, saí pela garagem, a pé — rebelando-me contra a babaca da síndica que insiste…

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