Maria da Lapa

Água no Quintal

Eu sabia que essa seria uma história difícil de contar. Maria é uma dessas coisas lisas, profundas, roliças. Escapa das mãos, da narrativa, sai das linhas e se arrisca do lado de fora de bordas. Olhando assim, ninguém diz. Só eu. Conheci seu Manel há muitos anos, eu era ainda criança e me mudei pra Lapa, meus pais abriram um boteco. Lá em cima já moravam os dois. Manel e Maria. O casal de portugueses que parecia pertencer ao bairro, ser parte dele, tanto quanto os arcos. Maria ficava na sacada o dia todo, tricotava e cantava o Fado. Eu era meio criança, não entendia, mas toda vez que ela cantava, meu peito ficava pequenininho, apertava.

Eram casados há tantos anos quanto eu tinha, uns quinze. Seu Manel era normal, preenchia todos os requisitos de marido, era forte, bravo e, desconfio, violento. Quando chegava do trabalho, Manel entrava primeiro no…

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