Espelho de prata

O limiar do surto

Madrugada de uma quarta-feira. A lâmpada do banheiro está queimada. Um restinho de luar penetra o recinto e ilumina o espelho. (Antes não iluminasse.) O que vejo ali me causa arrepios. A imagem refletida não condiz com a que guardo de mim. É um rosto disforme, com um olho abaixo do nariz, a boca [um rasgo] torta, quase na vertical, ligando o queixo ao nariz, o pescoço todo queimado de um lado, cheio de pústulas do outro.

Sinto asco. Um ânsia, uma vontade [uma necessidade] de soltar pela boca o catarro que me incomoda o peito.

Fecho os olhos. Com as mãos vejo o meu pescoço. Como folha nova. Vejo minhas bochechas, minha boca, meu nariz, meus olhos, minha testa, meus cabelos — tudo no lugar. Abro os olhos. Aquele monstro me encara como o retrato de Dorian Gray. Não posso vê-lo. Me recuso. A um só segundo viro o…

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