Prato Seco

Bote Literário

O cíngulo solto, a severidade na reserva dos poucos diâmetros, a mortalha que envolvia a imagem da Santa na base de madeira – o dia mais esperado daquela semana. O carcereiro olhava Camilo com os olhos de um bardo. Extraía certo gozo desse costume. Quando estavam a sós, sem nem o faxineiro por perto, gostava de troçar sobre a sua condição. Nos dias de bafo e odor, fazia o mesmo sem se importar com o faxineiro. Menos no último dia. Não conseguia engolir a comiseração que lhe evocara o condenado. Como era triste! Como era aviltante pôr tanta tensão em se recusar a ser daquela maneira: compadecendo das dores de mais um! Tanto que se esforçou para evitar o mínimo contato, no último dia. Eram dois empedernidos separados por uma grade de ferro. Irrepreensível a lástima de saber que o dia sempre chega. Quando requerido, abriu a cela apenas com o…

Ver o post original 1.139 mais palavras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s