Poesia na calçada

Grupo dos Cinco

Não sou apegado a melancolias. Não gosto sequer de textos em primeira pessoa. Há um certo egocentrismo neles que me enjoa. Nos textos, na primeira pessoa. Emociona-me mais a declaração de amor do ébrio à garrafa rolando da calçada. Suas mãos rasgando o ar. Com a esperança de pegar o exilir perdido. Emociona-me a carta de amor dos famintos por atenção. Nunca usei a literatura para transar com as palavras. Não há amor aqui. Poesia é lixo. É o aterro mais lindo do mundo. Tudo esparramado. Por isso, não gosto de edições de luxo. Prefiro as feitas em papéis de jornais. As que ficam cheias de traças em um sebo qualquer da periferia.

Literatura tem que ser no papel sulfite azul. É mais barato. O poeta precisa parar as pessoas na rua. Como quem vende chips de celular no centro da cidade. Levar xingamentos. Encontrões. O poeta precisa arrombar portas de…

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