A terrível beleza da natureza implacável

Blogue do Maranganha

Bastou um olhar pela janela mais cedo. Bastou isso e uma cena sublime virou fada arretinada. Era um gato, daqueles meio cinzentos com listras escuras, andando devagar no telhado do vizinho. Nada demais, eu gosto de gatos, mas sempre achei os de rua muito ariscos e medrosos. Mas ele estava em posição de caça, e prendeu a respiração. À sua frente, uma andorinha. Parecia ter quebrado a asa, ou algo do tipo. Ele saltou, abocanhando sua vítima tão rápido quanto os sonhos. Curti a conexão com os encantos galáticos a cada membro dilacerado do pássaro. O felino desfazia a fome, e eu observador me prodigiava e esmagava minha relevância diante dessa realidade. Qualquer passo que eu omita, cada arfada de ar que amargue, cada coisa que como, cada som que emudeça para que me mantenha vivo, cada dor que apeteça, cada vez que me achego na morte, cada angústia, lágrima…

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